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VIROSES GASTROINTESTINAIS
Orientações para Escolas
Tempo de leitura: 5 minutos
Atualização: agosto/2026
A gastroenterite é uma inflamação do revestimento do estômago e dos intestinos, causada por microrganismos como vírus, bactérias e parasitas. Quando a causa é um vírus, o quadro é chamado de gastroenterite viral, popularmente conhecida como “virose intestinal”.
É uma infecção comum, considerada a maior causa de diarreia infecciosa. Atinge todas as idades, mas é mais frequente e costuma ser mais intensa em crianças pequenas e em idosos.
O Ministério da Saúde define a doença diarreica aguda como a ocorrência de, no mínimo, três evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas, podendo vir acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal, com duração de até 14 dias.
Na maioria das vezes o quadro é benigno e se resolve sozinho. A principal preocupação não é o vírus em si, e sim a desidratação causada pela perda de líquidos pela diarreia e pelos vômitos.
PRINCIPAIS VÍRUS ENVOLVIDOS
▪️Norovírus — é a causa mais comum de surtos de gastroenterite viral. Atinge todas as idades e se espalha com muita facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.
▪️Rotavírus — é o principal agente de diarreia grave em crianças menores de cinco anos. Existe vacina disponível gratuitamente no SUS.
▪️Adenovírus entérico — mais frequente em crianças menores de 2 anos; o quadro tende a ser mais prolongado.
▪️Astrovírus — atinge principalmente lactentes e crianças pequenas.
A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, ou seja, quando partículas do vírus presentes nas fezes ou no vômito de uma pessoa doente chegam à boca de outra pessoa. Isso acontece por meio de:
🍴 Água e alimentos contaminados.
✋ Contato direto com a pessoa doente (cuidar, compartilhar talheres, copos e utensílios) e mãos mal higienizadas, especialmente após o uso do banheiro, após a troca de fraldas e antes de comer ou preparar alimentos.
✋ Superfícies e objetos contaminados — brinquedos, maçanetas, mesas, torneiras, descargas, trocadores.
Partículas eliminadas no ambiente durante o vômito, que podem contaminar superfícies próximas e ser levadas à boca pelas mãos.
Importante: a pessoa pode transmitir o vírus mesmo depois de se sentir bem. Quem teve rotavírus continua eliminando o vírus nas fezes por cerca de três dias após a melhora; no caso do norovírus, essa eliminação pode durar duas semanas ou mais. Por isso, a higiene das mãos precisa ser mantida com rigor mesmo após o retorno à escola.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO E DURAÇÃO
Período de incubação é o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas. Ele varia conforme o agente causador:
De forma geral, os sintomas das viroses gastrointestinais duram de 2 a 10 dias.
A diarreia costuma durar de 5 a 7 dias e o vômito, de 1 a 2 dias.
AFASTAMENTO E RETORNO À ESCOLA
Critério de retorno: o estudante deve permanecer afastado da escola até completar 48 horas (2 dias) sem diarreia e sem vômitos.
Esse é o critério adotado pela agência de saúde pública do Reino Unido (UKHSA) para creches e escolas e pelo serviço público de saúde britânico (NHS), e vale igualmente para norovírus e rotavírus. Ele existe porque a eliminação do vírus continua alta logo após o fim dos sintomas — voltar antes disso é a principal forma de manter a transmissão dentro da escola.
O mesmo critério de 48 horas se aplica aos funcionários da escola, especialmente aos que manipulam alimentos e aos que atuam no berçário e na troca de fraldas.
SINAIS E SINTOMAS
Os sintomas da gastroenterite viral podem durar de 2 a 10 dias, sendo os mais comuns:
▪️Diarreia com duração variável de 5 a 7 dias (evacuação de fezes pastosas ou líquidas, com frequência maior que a habitual)
▪️Vômito com duração de 1 a 2 dias
▪️Náuseas
▪️Febre
▪️Calafrios
▪️Dores no corpo
▪️Dor de barriga
▪️Perda de apetite
Outros sintomas poderão ser apresentados, conforme o tipo de vírus, como:
▪️Dor de cabeça
▪️Dor de garganta
▪️Dor de estômago.
As complicações desta doença estão relacionadas à diarreia e ao vômito, que podem levar a um quadro de desidratação e desequilíbrio nutricional.
⚠️ Sinais importantes de desidratação em crianças podem incluir:
▪️Lábios ressecados
▪️Menor quantidade de urina (fraldas menos molhadas em bebês)
▪️Olhos encovados
▪️Sonolência.
QUANDO PROCURAR O SERVIÇO DE SAÚDE
Procure atendimento se a criança apresentar:
⚠️Sinais de desidratação (listados acima)
⚠️Recusa de líquidos ou vômitos repetidos que impeçam a hidratação
⚠️Sangue nas fezes ou no vômito
⚠️Diminuição importante da urina
⚠️Ausência de melhora após 2 dias
⚠️Diarreia que persiste por mais de 7 dias ou vômitos por mais de 2 dias
⚠️Apatia, sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou confusão
⚠️Dificuldade para respirar, respiração rápida, pele pálida ou manchada
⚠️Dor abdominal intensa ou febre alta que não cede
Atenção redobrada: bebês com menos de 12 meses, crianças com doenças crônicas e crianças com imunidade comprometida desidratam mais rápido e devem ser avaliados precocemente.
O rotavírus é um dos principais agentes das doenças diarreicas agudas e uma das mais importantes causas de diarreia grave em crianças menores de cinco anos no mundo, especialmente em países em desenvolvimento. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra esse agente.
Conforme o Calendário Nacional de Vacinação atual:
Esquema básico:
2 doses, por via oral, aos 2 meses e aos 4 meses de idade.
1ª dose:
Pode ser administrada a partir de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias de idade.
2ª dose:
Pode ser administrada a partir de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias de idade.
Intervalo entre as doses:
60 dias (mínimo de 30 dias em situações excepcionais).
A vacina é contraindicada nos seguintes casos: história prévia de invaginação intestinal (intussuscepção); malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal; imunodepressão grave ou uso de corticosteroides em doses imunossupressoras; crianças fora da faixa etária preconizada; e reação de hipersensibilidade a dose anterior ou a componente da vacina.
A vacina reduz de forma importante os casos graves, mas não impede todas as infecções — nem protege contra os demais vírus. As medidas de higiene continuam necessárias.
🏠 O QUE A FAMÍLIA PODE FAZER?
CUIDADOS E SUPORTE
Não existe medicamento que “mate” o vírus. O tratamento é de suporte: repor líquidos, manter a alimentação e aliviar os sintomas.
1. Hidratação — a medida mais importante
▪️Oferecer líquidos em pequenos volumes e com frequência, várias vezes ao dia.
▪️A solução de sais de reidratação oral (SRO) é a opção preferencial. Ela é distribuída gratuitamente nas unidades básicas de saúde e também é vendida em farmácias.
▪️O soro caseiro é uma alternativa quando o SRO não estiver disponível; deve ser preparado exatamente conforme a orientação do Ministério da Saúde, pois a proporção errada de sal e açúcar pode piorar o quadro (saiba como preparar o soro caseiro aqui)
▪️Evitar refrigerantes, sucos industrializados e bebidas açucaradas ou isotônicas esportivas: o excesso de açúcar pode piorar a diarreia.
▪️Não diluir a fórmula infantil além do indicado na embalagem.
2. Alimentação — manter, e não restringir
▪️Manter a alimentação habitual da criança, conforme a aceitação. Não é necessário e nem recomendado deixar a criança em jejum.
▪️Manter o aleitamento materno, inclusive durante a fase de reidratação.
▪️Não é recomendado restringir leite e derivados de rotina, nem adotar dietas restritivas do tipo “banana, arroz, maçã e torrada” (dieta BRAT). Essas restrições não encurtam a diarreia e podem prejudicar a recuperação nutricional.
▪️Oferecer porções menores e mais frequentes, preferindo preparações leves e evitando alimentos muito gordurosos, muito açucarados ou muito condimentados enquanto durar o mal-estar.
3. Medicamentos — somente com orientação médica
▪️Analgésicos e antitérmicos podem ser usados para febre e desconforto, conforme orientação profissional.
▪️Não usar medicamentos antidiarreicos em crianças por conta própria. Eles não são recomendados nesses quadros e podem mascarar a piora.
▪️Antieméticos (remédios para vômito), zinco e probióticos podem ser indicados em situações específicas — sempre por avaliação médica, nunca por iniciativa da família ou da escola.
▪️Antibióticos não têm efeito sobre viroses.
4. Repouso
▪️Manter a criança em repouso em casa até a recuperação do estado geral.
OUTRAS ORIENTAÇÕES PARA FAMILIARES
🔸Manter o estudante em repouso até o restabelecimento do quadro geral.
🔸Não enviar à escola estudantes com mal-estar geral, febre, vômitos, diarreia ou qualquer outro sintoma que dificulte alimentar-se, hidratar-se ou participar das atividades pedagógicas. Nesses casos, procurar o serviço de saúde.
🔸Respeitar o afastamento de 48 horas após o fim da diarreia e dos vômitos antes de retornar à escola.
🔸Intensificar a higienização das mãos por todos da família — a principal via de transmissão é a mão.
🔸Lavar as mãos com água e sabão, e não apenas com álcool em gel: o álcool em gel tem baixa eficácia contra o norovírus e não substitui a lavagem nesses casos.
🔸Higienizar com produto à base de cloro (água sanitária diluída conforme a instrução do rótulo) o vaso sanitário, a descarga, a pia, as maçanetas, os interruptores e as superfícies onde houve vômito ou fezes.
🔸Lavar imediatamente e separadamente as roupas e roupas de cama sujas de vômito ou fezes, na temperatura mais alta que o tecido permitir. Evitar sacudir as peças.
🔸Manter as unhas dos estudantes limpas e aparadas.
🔸Não compartilhar copos, talheres, garrafas, mamadeiras e toalhas dentro de casa enquanto houver alguém doente.
🔸A pessoa doente não deve preparar alimentos para os demais até 48 horas após o fim dos sintomas.
🔸Evitar ambientes aglomerados e fechados quando um familiar estiver sintomático.
🔸Higienizar a garrafinha de água, a lancheira e os pertences pessoais diariamente.
🔸Comunicar à escola a suspeita ou a confirmação de uma doença, para que as medidas preventivas sejam implementadas.
🔸Sempre buscar, na escola, o estudante que apresente quadro febril ou mal-estar geral: para participar das propostas pedagógicas e garantir um ambiente saudável e promotor de saúde, os alunos precisam estar bem de saúde.
🔸Manter a caderneta de vacinação em dia, incluindo a vacina contra o rotavírus.
🔸Ensinar as crianças a lavagem das mãos, conheça o passo a passo com música aqui.
🎥 Campanha higienização das mãos na escola
Acesse o vídeo para conhecer a campanha
👉 Revisa os procedimentos de cuidado junto à equipe pedagógica e de apoio.
👉 Redobra a higienização das superfícies de maior contato.
👉 Incentiva a vacinação de todos: estudantes, familiares e colaboradores.
👉 Orienta o afastamento imediato de pessoas com sintomas compatíveis com a doença.
👉 Mantém portas e janelas abertas para favorecer a ventilação natural.
👉 Estimula a higienização frequente das mãos por estudantes e equipe.
👉 Realiza reuniões periódicas para planejar e revisar estratégias de prevenção.
👉 Comunica às autoridades de saúde, como a Unidade Básica de Saúde (UBS), os casos confirmados, especialmente quando dois ou mais ocorrem na mesma turma ou em turmas que se comunicam, e monitora os casos suspeitos, garantindo um acompanhamento cuidadoso da situação.
👉 Identifica casos sintomáticos e solicita a retirada imediata do estudante, assegurando a saúde de todos os presentes.
👉 Supervisiona e orienta o protocolo de troca de fraldas e os demais protocolos de cuidados.
👉 Prioriza atividades ao ar livre.
👉 Escalona as atividades nos diferentes espaços para evitar aglomerações dos estudantes.
Com a colaboração de todos, é possível garantir um ambiente escolar mais saudável e promotor de bem-estar para toda a comunidade!
Prometemos não utilizar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.
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